Comecemos pelo touro, um animal de bravura digna, imponente, com uma agressividade extrema; uma força da natureza respeitada por todos os que andam na festa brava.
Do outro lado os forcados, sem protecções, alinhados num encontro que nunca se sabe como vai decorrer nem como vai acabar, unidos numa força inexplicável, que os faz fechar os punhos e sussurrar: - “ Aqui não passa! ”.
São oito. Foram escolhidos de entre os demais, propositadamente para aquela pega, pela inquestionável sabedoria do Cabo, aquele que manda! São geralmente homens da terra, dotados de humildade e nobreza e embora sabendo que nem sempre as coisas correm bem, há que semear para poder colher.
O cabo escolhe as sementes para aquele campo – vai enviar oito bravos para aquela terra escura, onde terão de aguentar a dureza daquele Inverno ou o sufoco do calor do Verão; depois de escolhidos não há volta, lá vão serenos, sérios, concentrados na próxima luta, aparentemente desigual.
Algo de incrível há nesta união, que não permite que ninguém olhe para trás, que não admite que ninguém duvide do coração daqueles que estão na sua retaguarda, que torna os homens que lá estão em gigantes, que os faz sentirem-se maiores do que realmente são; que os faz ser pela sua amizade e pelo seu empenho, do tamanho do touro que vão pegar; aqui reside e está guardada a essência sã das suas almas, que está conservada em jaquetas com ramagens.
A pega: uma grande e incerta viagem, onde a partida é sempre sofrida pela família, amigos e namoradas, chorando por dentro o pesadelo do desconhecido que vem pela frente.
Depois vêem a viagem, nome que se dá ao tempo em que o forcado vem sozinho na cara do touro até que o grupo o encontra; não há lugar para fraquezas e a única direcção é em frente. O coração de todos vai no forcado que está na cara… e tudo pára quando o touro pára, como se finalmente o barco atracasse em porto seguro, com a satisfação infinita de que a epopeia foi possível um pouco por nossa causa e podermos dizer: - “ estive lá!”.
Á chegada são os abraços aos amigos, os beijos ás namoradas, as histórias de bravura, o reconhecimento num jantar nessa noite, em que todos se juntam e que é sempre farto e longo, culminando na tão esperada solenidade dos discursos… Alguns, escolhidos pelo cabo conforme o mérito dessa e de outras noites, dizem o que lhes vai na alma, embriagados numa paixão sem fim por algo tão único e inexplicável como ser forcado e pegar touros!
Ass: Carlos Santos
2 comentários:
CARLOS,QUERIA DEIXAR UM BEIJINHO E DESEJAR AS RÁPIDAS MELHORAS PRA QUE POSSAS VOLTAR ÀS ARENAS!!!uM GRANDE BEIJINHO
fÁTINHA
obrigadissimo fatinha. Com amigos (as) assim as melhoras serão rápidas certamente...
beijinho
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